Arquivo | outubro, 2011

De olho no nematoide

28 out

Lavouras de soja ainda sem proteção contra nematoides

Da região Norte ao Leste de Mato Grosso, a maior reclamação ouvida pelo supervisor de campo da Aprosoja Rodrigo Fenner, que coordena nesta segunda semana a Equipe 5, é a incidência de nematoides. “O produtor está pedindo mais pesquisas, porque não está conseguindo ganhar essa guerra”, comenta.

Em Nova Xavantina, a região da Serra Azul, localizada a 550 metros acima do nível do mar, tem sofrido com nematoides de cisto (Heterodera glycines), ao passo em que nas regiões mais planas a incidência maior é de nematoides de lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). “Depois destas duas semanas, dá pra afirmar que o principal problema nas lavouras hoje não é mais a ferrugem asiática, mas o nematoide, o que nos indica a necessidade de investirmos mais nisso”, observa Rodrigo Fenner.

Os prejuízos causados pelos nematoides nas lavouras incluem a perda de produtividade e o aumento nos custos de produção, devido aos gastos com controle químico. Nos Estados Unidos, a doença gera perdas anuais de US$ 500 milhões. No Brasil, o prejuízo não foi contabilizado ainda, mas pesquisadores da Embrapa Soja Londrina estimam que a produtividade da soja poderia ser 8% a 10% maior se não fossem a doença.

Um dos experts em nematoides no Brasil é o pesquisador PhD em fitopatologia e consultor técnico da Aprosoja, José Tadashi Yorinari, que está participando do Circuito Tecnológico na equipe 3. Ele explica que o maior desafio da doença é que os nematoides ficam no solo, o que impede o produtor de identificá-los. “É fundamental retirar as plantas suspeitas das lavouras para fazer identificação da doença e o monitoramento. A variedade de cisto permanece até oito anos no solo”, alerta.

Os nematoides causam preocupação principalmente porque, ao contrário da ferrugem asiática, ainda não há controle de sua incidência. “Os nematoides ainda são um desafio, especialmente o Pratylenchus brachyurus, que não tem nenhuma variável de soja resistente a ele”, informa Tadashi. (Rodrigo Fenner)

Bilíngue!

28 out

Entrevista em alemão?

Maurício Kolling, da Unemat, ganhou destaque nesta semana quando entrevistou o agricultor Thomaz, de Querência. Além do aprendizado sobre o modo de plantar soja na região, Maurício aceitou o desafio do supervisor de campo, Rodrigo Fenner, que coordena a equipe 5, e realizou a entrevista 100% em alemão, língua na qual também é fluente. “Parei propositalmente no Sr. Thomaz, que planta 1.000 hectares para ver se dava certo”, brinca Rodrigo. “Acho que o alemão ficou é muito feliz de poder falar na língua dele”, diz.

É… Circuito Tecnológico também é cultura!

Balanço da semana – equipe 4

28 out

A segunda semana da equipe 4 foi muito produtiva. Apesar das más condições de estrada, foi possível visitar propriedades e conferir in loco como a gestão familiar pode reduzir custos. Clique abaixo e ouça na íntegra o depoimento do coordenador da equipe, Nery Ribas.

Agricultura faz Nova Xavantina deslanchar

28 out

Quem mexe com agricultura geralmente gosta de usar números para tentar traduzir uma realidade. Mas, em Nova Xavantina, as histórias pessoais falam mais alto do que qualquer número quando o assunto é o crescimento da agricultura na matriz econômica do município.

Carlos Alberto Petter: da pecuária à lavoura

Carlos Alberto Petter, de 41 anos, chegou a Mato Grosso com sete anos, acompanhando o pai, hoje já falecido. Sempre na lida com a terra, Petter assegura que de sete anos para cá cada vez mais o pasto virou lavoura. “Só nesses últimos sete anos, o plantio aumentou uns 10 mil hectares. As lavouras estão aumentando bem por aqui, tem muito pasto degradado que virou agricultura”, diz.

A fazenda de Petter é um exemplo da presença cada vez maior da agricultura: são 1.000 ha com soja, com a previsão de converter mais 50 ha nos próximos dois anos. Da antiga matriz pecuária, restaram 100 cabeças de gado, que o produtor mantém para “consumo próprio”. A migração para a agricultura começou como um exercício de rotação de culturas, porque o solo já não comportava mais a criação de gado. A solução foi preparar a área, num investimento médio de R$ 1 mil por hectare.

A conversão tem bons motivos, explica Petter. “O retorno é maior para todos. Você usa mais mão de obra, tem mais máquina trabalhando, o comércio cresce e entra mais renda na região. Pro município é bom, porque gera mais emprego que a pecuária, e pro produtor também. Depois do investimento inicial, você tem o retorno de volta, e mais rentabilidade”, analisa.

Agricultura começa a mudar paisagem em Nova Xavantina

E a rentabilidade realmente é generalizada. Geraldo Amâncio, comerciante na cidade, conta que o crescimento de Nova Xavantina está atrelado à mudança da matriz econômica. “Cheguei aqui em 1978, quando a cidade ainda engatinhava na agricultura. Naquela época, que era só de pecuária, Nova Xavantina era subdesenvolvida. As coisas começaram a mudar com o boom da agricultura”, afirma.

Amâncio já atuou no ramo de cereais e começou a investir no supermercado em 1988. “As coisas começaram a mudar no final dos anos 80, quando a cultura do arroz começou por aqui e em seguida veio uma crise. Quando chegou a soja, que é uma cultura sem muitos altos e baixos, porque tem uma sustentação maior, o agricultor passou a ter mais estabilidade nos seus rendimentos. O resultado disso foi uma melhoria no comércio, bem no final do ciclo de arroz, em 1984. Quando veio o plantio direto, aí melhorou mais a renda, porque os custos caem”, comenta Amâncio. (Pamela Muramatsu)

Não acredito!

27 out

Tadashi em campo com a equipe 3

“Os produtores quase choram de emoção quando descobrem que o Tadashi está visitando suas fazendas”, diz o supervisor de campo Eliandro Zaffari, que coordena a equipe 3.

Não é pra menos. José Tadashi Yorinori, engenheiro agrônomo PhD em Fitopatologia, é um ícone no mundo agrícola. Ex-pesquisador da Embrapa, Tadashi destrinchou várias doenças que atingiam as lavouras: da “olho-de-rã” ao cancro da haste, passando por mancha alvo, oídio e podridão vermelha da raiz (síndrome da morte súbita). Mas foi seu trabalho com a ferrugem asiática, cujos primeiros estudos começaram ainda em 1980, que alcançou o status de “celebridade”. Em Mato Grosso, Tadashi é considerado o “pai” do vazio sanitário, e por onde quer que passe é recebido com honras.

Hoje, Tadashi atua como consultor autônomo no Brasil e na Bolívia. É fã de pescaria, mas tem andado meio desanimado com os resultados nos rios… “Os peixes estão ficando mais espertos que o pescador”, brinca. Tadashi adora ler sobre tudo, para “poder emitir opiniões sobre qualquer tema”. Dedica atenção especial a biografias de pessoas humildes que se fizeram na vida, como Nelson Mandela, Abraham Lincoln e Thomas Edison, e gosta também de temas como motivação, meditação e desenvolvimento pessoal. Além disso tudo, Tadashi ainda arranja um tempinho para manter ligação com a origem oriental: lê e estuda muito sobre artes marciais, principalmente Tai Chi Chuan. É ou não é demais? (Thaís Castro)

 

 

De volta às origens

27 out

O Circuito Tecnológico não está apenas realizando um detalhado diagnóstico da safra 2011/12 que se inicia agora. O projeto da Aprosoja está ajudando também vários profissionais a relembrarem o início de suas carreiras e a retomarem uma atividade que apaixona a muitos: o contato com a terra.

José Carlos aplica questionário

É o caso de José Carlos Perez, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Região Centro-Nordeste da Basf. “Estou de volta ao campo”, comemora. Zé, como é chamado pela equipe 4,  é engenheiro agrônomo e chegou a Mato Grosso há mais de 15 anos, iniciando a carreira em propriedades rurais. Há cinco anos na Basf, o trabalho agora é realizado mais no escritório, mas o que ele realmente gosta é de por a botina na estrada e sentir o “cheiro” de mato.

Coletando amostras: uma viagem no tempo

“A viagem está sendo maravilhosa. Além de todas as informações que estamos levantando, e da oportunidade de conferirmos in loco a realidade do produtor, estou tendo a experiência muito positiva de relembrar os anos em que comecei a carreira aqui em Mato Grosso. Esse contato com o produtor é ótimo. Estou adorando voltar a ‘por a mão na massa’”, comemora. (Pamela Muramatsu)

Safrinha de milho promete

26 out

Boas perspectivas para o milho

É bem provável que nesta última semana de Circuito Tecnológico a maior parte dos produtores visitados pelas equipes da Aprosoja já tenha fechado seus pacotes de compra de insumos para a safrinha de milho. Embora o plantio comece apenas no início de fevereiro, muitos produtores ouvidos na semana passada já estavam finalizando as negociações da segunda safra. “Essa informação aliada à perspectiva de que a área de milho vai aumentar nos indicam que vamos ter mais milho no próximo ano”, afirma o supervisor de campo Rodrigo Fenner, que está coordenando agora a equipe 5.

Willian Yamashita, produtor em Santo Antônio do Leste, vai dedicar os 100% de sua propriedade para o milho de segunda safra pela primeira vez. “No ano passado, dos meus 980 hectares, usei 300 ha para o milho. Agora, vou investir tudo, para aproveitar o preço das commodities”, afirma. O plantio de soja em sua propriedade, a Fazenda Volta Grande, já está concluído. “Também já garanti meu pacote de insumos”, conta. (Pamela Muramatsu)